“O espírito humano é tragicamente estúpido.” Esta frase de Flaubert, um dos maiores escritores de todos os tempos nos leva a considerações um tanto humilhantes para nosso orgulho, porém realistas e verdadeiras. Quem é capaz de assumir sua estupidez? Nosso natural orgulho rebela-se em assumir tal condição. Mas é um fato que mesmo os mais inteligentes e sábios têm que pagar seu tributo à estupidez. A estupidez está de tal forma arraigada na alma humana que nos deparamos com ela diariamente a todo momento. Basta ligar a televisão, ouvir rádio, navegar na internet.
Quem estuda a história não deixa de notar que após a virada do século dezenove para o vinte houve uma mudança fundamental nos costumes e idéias afetando profundamente todos os setores da atividade humana. Arte, filosofia, economia, ciência, foram fecundadas com novas ideias. Deve-se isto ao surgimento de muitos gênios no século dezenove em todos os setores do pensamento humano. O século dezenove foi muito rico no surgimento de gênios.
É uma lei da natureza que depois do apogeu sempre vem a decadência, é a esta lei que devemos a mediocridade cada vez mais acentuada que observamos a partir da virada do século dezenove para o vinte, continuando até os dias atuais.
Podemos dizer que no atual momento histórico a humanidade está no apogeu da estupidez. Valoriza-se o banal, o medíocre, o vulgar. Erigiu-se a vulgaridade e mediocridade como padrão. Tudo que não se enquadra neste padrão é desvalorizado. Criação genuína é sempre rara. Observamos até na filosofia a influência nociva do baixo padrão geral.
São raros os que não se alienam, os que se mantêm fiéis a um padrão superior de cultura, mesmo cientes de que também têm inevitavelmente de pagar um tributo à estupidez. Afinal, admitir sua própria estupidez é indício de sabedoria.